Renato Lopes

Hoje é 18 de junho de 2024. Santa Maria, RS / Itajaí, SC
 
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Viagens e Aventuras


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Comenda Cavaleiro Hugues de Payens - 2022

Comenda Cavaleiro Hugues de Payens - 2022

Olá caros leitores!

A COMENDA Cavaleiro Hugues de Payens, foi idealizada no ano de 2017, por três irmãos integrantes do Moto Clube Bodes do Asfalto, quando participavam do EBAN Canela, RS. São eles, Ilse Coutinho Junior, Paulo Armond de Siqueira Souza e Paulo Graça Castanheira.
Inicialmente com a intenção dos idealizadores era apenas criar um patch para usarem, e também presentear aos irmãos que realizassem o feito de visitar todas as capitais dos estados. Como sabiam que os irmãos Luiz Alberto Maçaneiro e Mario Cesar de Paula Bertoni, já haviam realizado, os incluíram no grupo inicial.
Após alguns anos, em conversa informal com o Presidente do Moto Clube, Edinho, este entendeu de institucionalizar a Comenda.
No ato de criação, o Presidente assevera que a comenda será concedida apenas aos Irmãos que visitarem todas as capitais dos estados e Distrito Federal do Brasil com sua motocicleta, bem como estabelece as regras e cria a comissão para análise dos requerimentos.
Esse é um breve histórico do surgimento da COMENDA Cavaleiros Hugues de Payens.

Confesso que esse desafio não era uma prioridade nos meus projetos de viagens, embora eu tenha recebido com entusiasmo quando da sua criação oficial pelo Moto Clube, pois entendi de pronto que seria uma forma direta de incentivar os irmãos, para que voltassem a fazer poeira, isso em face o apagão de viagens provocado pelo vírus chinês. Inclusive comentei com alguns irmãos sobre a feliz ideia e oportunidade, mesmo sem saber quem eram os idealizadores.
Então, quando eu estava me deslocando, com a Wilma na garupa, em direção Brasília para um encontro entre amigos motociclistas, no início de setembro de 2021, os pensamentos foram surgindo, os planos sendo arquitetados e de repente eu estava decidindo repassar as capitais dos estados para fazer o registro da Comenda Cavaleiro Hugues de Payens. Digo repassar, pois já havia percorrido de moto as capitais, algumas por várias vezes, exceto São Luiz, no Maranhão e Teresina, no Piauí.
Um dia antes de passar por Goiânia, onde pretendia fazer uma visita a grandes amigos motociclistas, para um abraço e um bom papo, esse sempre garantido, resolvi fazer contato com o Coordenador da Facção de Goiânia, a fim de começar os registros necessários e confraternizar com os irmãos do Moto Clube.
No dia 02/09/21 estávamos chegando a Goiânia, quando fomos recebidos pelo Irmão Scorpion, na BR 153, próximo a Hidrolândia, GO.
Para minha surpresa o Irmão Scorpion, após alguma troca de informação, me identificou, pois era meu leitor. A partir daí a conversa fluiu como se já nos conhecêssemos a bom tempo, pois o irmão começou a relembrar inúmeras passagens de um dos meus livros, o que me deixou muito feliz, pois além de realmente ter lido, parece ter gostado.
Almoçarmos uma comida goiana, da roça, simples, mas muito saborosa, fizemos alguns registros fotográficos no local, e ele nos acompanhou até Goiânia, onde realizamos algumas fotos no Palácio do Governo. À noite fomos jantar com amigos e dia seguinte fomos para o encontro em Brasília.
Em Brasília ficamos envolvidos com o evento dos Amigos & Motos por todo o final de semana, e com compromissos familiares.
No dia 10/09 parti solo rumo ao Tocantins, pernoitando em Gurupi. A Wilma ficou em Brasília, na casa do meu irmão Paulo, para embarcar via área até Teresina, quando nos encontramos novamente.
Dia seguinte, 11/09, fiz uma incursão para confraternizar e fazer o registro fotográfico com Irmãos de Palmas. O ponto de encontro foi na Loja Maçônica Cavaleiros do Sol Nº 3728.
Após um bom papo com um grupo de irmãos Bodes do Asfalto, fomos até o Palácio do Governo, onde foi relativamente fácil posicionar as motos para uma bela foto. A seguir fomos fazer um lanche em uma cervejaria muito bacana.
Antes de voltar para a ruta, ainda fui fazer uma visita ao irmão das antigas dos Bodes do Asfalto, de Santiago, RS, que hoje reside em Palmas e tinha mais de 12 anos que não nos encontrávamos.
O irmão Delcio me acompanhou até a casa do irmão Alexandre Bolchi. Apesar de rápida, a visita foi um momento muito esperado, pois temos boas histórias de ótimas viagens, e tempos de grande fraternidade.
Após as despedidas de praxe dos irmãos, segui para retornar a BR 153, pois meu primeiro objetivo era chegar em Marabá, PA, onde concluí o Desafio Rodoviário Fazedor de Chuva BR 153. Lá fui recepcionado pelos queridos irmãos Mário Tadeu e Jaime, que não economizaram na fidalguia. A confraternização foi ao pôr do Sol espetacular a beira do Rio Tocantins.

Já no dia 13/09 para Belém. Ao passar por Castanhal fui dar um abraço no irmão Boni, quando tomamos um café e rolou ótimas histórias, enquanto eu aguardava a chuva tradicional de final de tarde passar. Logo que a chuva diminuiu, segui viagem, mas poucos km adiante ela a retornou e me acompanhou até a chegada de Belém. Fui direto até a Monaco MotoCenter, Concessionária da Honda, onde os Bodes do Asfalto possuem a cedência de um ótimo espaço para seus encontros.
Fiz uma rápida visita as instalações na companhia dos irmãos e algumas fotos, e o irmão Medeiros, muito atencioso, me guiou para jantar na sua companhia. O papo foi muito bacana.
Me instalei em um hotel na BR 010, próximo a Ananindeua, com o objetivo de no dia seguinte escapar do tráfego, que via de regra é caótico na saída ou chegada de Belém.
Em 14/09 parti antes das 6h, em direção a São Luiz, MA, e fui tomar café na beira da estrada, já em São Francisco do Pará, chamado O Celeiro, um local muito aprazível e sofisticado.
Até Capanema a BR 316 estava em muito bom estado de conservação, mas ao adentrar no Estado do MA não se pode dizer o mesmo. Perto de Governador Nunes Freire a estrada apesar de nova, é uma “casca” de asfalto, com vários pontos de risco, pois ao longo da estrada surgem aquelas panelas isoladas, que é um risco para os motoristas desatentos. Nessa região o tempo estava nublado e foi inevitável enfrentar uma “pancada” de chuva. De certa forma consegui minimizar, adentrando em um portal da Fazenda CAJUCOCO, que tinha um ponto de venda direto ao consumidor, e abriguei a moto em uma área coberta ao lado das mesas que recebia o público.
Isso já passava das 12h, tomei um suco, após algum tempo esperando ser atendido, pois a pessoa responsável não estava. Em seu lugar uma senhoria que nasceu naquele lugar e na conversa que provoquei, me contou que nunca havia saído da micro-região, não conhecia nada, mal sabia fazer conta para troco, senhora bem simples, da lida de fazenda. Como não tinha o troco, deixei a ela. Ela acabou me deixando com um pouco de preocupação quando se referiu que a região é bem perigosa. Notadamente depois que instalaram um presídio bem próximo da Fazenda, a uns 500 metros, no meio do campo, onde os roubos e assaltos passaram a ser uma rotina para os produtores e motoristas.
Logo passou a chuva e segui, avistando o presídio bem próximo do local, e não dei trégua para atenção a tudo que se movia na estrada ou nos muitos vilarejos ao longo da ruta, sempre com velocidade superior a todos os demais veículos. Passei ileso por aquela região que tem pouco tráfego, e em alguns momentos pode assustar ao viajante solitário. Por volta das 16h cheguei ao Ferry Boat que faz a travessia da Bahia de São Marcos, entre Cujupe e Ponta da Espera. O tempo é de pouco mais de uma hora para percorrer os 20 km da Bahia.
Do lado da Bahia, em Ponta Espera, ao desembarcar, dois irmãos me aguardavam com suas motos. O Vicente que eu já conhecia, de um encontro especial na travessia do Estreito de Magalhães, na Tierra del Fuego em 2016, e mais recentemente no EBAN em 2019, na cidade de Itajaí, SC, e o Emilio atual Coordenador dos Bodes do Asfalto, o qual foi muito atencioso desde nossa apresentação. Após o registro fotográfico, me conduziram até o centro de São Luiz onde eu havia reservado o hotel, e combinamos de jantarmos mais tarde.
O Vicente e esposa me buscaram no hotel antes do jantar e fomos até o centro histórico, onde estava ocorrendo shows em comemoração à semana de aniversário de São Luiz. Magnifico!
A seguir fomos encontrar o Emilio e esposa no restaurante Cabana do Sol, muito bom, onde degustei a melhor carne de sol até os dias de hoje, muito top! Recomendo. Aí a conversa fluiu com muita leveza e fraternidade.
Na manhã do dia seguinte após o café e colocar minhas coisas mais ou menos em ordem com a moto, parti para conhecer um pouco de São Luiz na companhia do irmão Ricardo Chaves, ele com sua Super Teneré.
Para começar fomos fazer a foto em frente ao Palácio do Governo do Estado, um prédio do início do século XVII, bem conservado, localizado na parte histórica da cidade, que segundo meus guias de São Luiz, foi onde nasceu a cidade. Depois rodamos um pouco pela parte histórica, mercado, feira do artesanato e conversamos um pouco tomando uma água de coco.
Após um rolê pela beira mar, acabamos parando em um restaurante de um gaúcho, muito frequentado, que tem sua especialidade o caranguejo. Quando saímos havia fila de espera para adentrar ao restaurante. Muito bom.
Meu reencontro com a Wilma foi no dia seguinte, dia 16/09, em Teresina, PI. Parti muito cedo, pois estava previsto uns 430 km em uma estrada que não conhecia e pelas informações obtidas, não era das melhores. De fato, boa parte da estrada requer cuidado do motociclista, além dos muitos redutores de velocidade. Postos de serviço são muito modestos.
A Wilma chegaria no aeroporto por volta do meio dia, e eu já havia orientado para não esperar a minha chegada, e buscar um taxi para ir para o hotel.
Acabei chegando em Timon, MA, cidade a beira do Rio Parnaíba, que divide os Estados do MA e PI, por volta das 13h, já sentindo a força do astro rei, o Sol. É atravessar uma das pontes e se está rodando em Teresina, PI.
Em Timon fui recebido pelo irmão Clenilson me aguardava com sua motocicleta. Após as apresentações, que para irmãos motociclistas são dispensáveis, basta um abraço e já estávamos em sintonia. Como naquele horário o tráfego é intenso, ele me conduziu por caminhos seguros até chegarmos ao centro da cidade, me guiando até o hotel, onde a Wilma já havia realizado o check in.
À tarde, saímos para conhecer um pouco o centro e tomarmos um café. No entardecer, a convite do irmão Jorge Vera, que nos buscou no hotel, fomos até o point onde motociclistas de todas as “cores” se reúnem para um bate papo e tomar uma “gelada”, localizado embaixo da ponte estaiada. É notadamente impossível resistir a uma cerveja gelada com todo aquele calor, embora eu não esteja bebendo a bom tempo. Que minha hepatologista não leia isso...
Lá encontramos vários irmãos, Cláudio Leite e esposa, Norbelino e esposa, Jorge e esposa e Clenilson. Mas mal sabia eu que seria só o aperitivo, pois não tardou e fomos para um ótimo restaurante indicado pelo irmão Jorge. E o papo se estendeu até perto da meia noite, e foi onde experimentamos uma bebida local muito deliciosa, a cajuína.
Retomamos a viagem, sim, agora com a Wilma na garupa a partir de Teresina, seguindo para Jericoacoara, CE. O dia já começou com temperatura na casa dos 26 a 27 graus, o que nos obrigava a paradas constantes para hidratação. Minha ideia de passar pela cidade de Viçosa do Ceará coincidiu com o horário do almoço, mas antes fizemos um pequeno passeio no centro, para conhecer uma pouco da arquitetura histórica e fazer algumas fotos. Achamos um restaurante de comida típica regional, Pão da Vida, em um prédio antigo, bem conservado e muito aconchegante. Recomendo!
Relaxamos um pouco enquanto tomávamos um cafezinho, e seguimos para Jijoca, onde deixamos a moto em um estacionamento e contratamos uma camioneta 4x4 para nos levar até uma pousada em Jericoacoara. Por lá curtimos os passeios e praias durante o dia e a “muvuca” do final de tarde até a noite, e alguns passeios no dia seguinte.
Depois de conhecer Jericoacoara foi a vez de conhecer mais uma ótima praia na costa do Ceará, Flecheiras que fica 140 km antes de Fortaleza.
Nossa chegada em Fortaleza foi de exagerada alegria no dia 22/09. Nos esperavam na estrada, no Restaurante Galinha Caipira, o irmão Castilho, grande parceiro de longas e boas viagens, os irmãos Philippe e Freitas, mais o amigo Marquinhos. O saudoso e bom papo foi animado enquanto aproveitávamos para nos hidratar.
Do restaurante fomos direto para a cidade, onde nos instalamos no Hotel de Trânsito do EB.
Depois o irmão Castilho me acompanhou de caro, até a Concessionária da BMW, onde eu deixei a moto para revisão. O período de quatro dias em Fortaleza foi de intensa atividade com os amigos Castilho e Nara, praia, jantares, happy hour e muito convívio fraterno.
Ainda tive a oportunidade de conhecer um amigo cearense virtual, o Luiz Almeida, motociclista e escritor. Foi muito bacana e só fortaleceu aquela longa amizade virtual, e ainda teve remada de uma hora na orla da praia e peixe frito, na companhia de amigos motociclistas e remadores.
No domingo partimos para São Miguel do Gostoso, RN, mas em razão do calor decidi fazer em duas partes, com pernoite em Mossoró, uma importante cidade do CE. O irmão Castilho que estava com muita saudade de pilotar sua moto que chegara de Santa Maria, RS, a poucos dias via transportadora, não resistiu e nos acompanhou por 200 km até a praia Redonda, onde comemos uma lagosta na Barraca do Carlinhos, e logo no próximo entroncamento de rutas, nos despedimos.
Já na BR 101, antes do acesso a RN 222, que nos levaria a São Miguel do Gostoso, decidi seguir em frente mais alguns poucos km e fui até o Marco Zero da BR 101, a fim de fazer o registro fotográfico no Município de Touros. Acabou sendo rápido, pois o tempo estava nublado e iniciou mais uma pancada de chuva daquela tarde.
Passamos dois dias agradáveis em São Miguel do Gostoso, percorrendo as praias e alguns recantos, de quadriciclo, curtindo o Sol e as praias durante o dia, e a noite vivenciando os hábitos, os costumes, a cultura, e a ótima culinária dos bons restaurantes que o “Number One” havia nos indicados. É perceptível que o local que está com o turismo em crescimento, a observar pelo número de construções novas.
Já estávamos no dia 29/09/21 quando partimos para Natal. Chegamos no Restaurante do Irmão, distante uns 15 km de Natal, onde não tardou chegou o Brother Jânio Xavier dos Bodes do Asfalto, para nos recepcionar de forma muito atenciosa. Após um rápido papo e apresentações, seguimos até Natal, atravessamos toda a capital e ainda nos acompanhou até a PRF da BR 101, onde nos despedimos, já na saída para João Pessoa.
Na mesma data chegamos a João Pessoa e fomos nos instalar no Littoral Hotel Express, onde havíamos feito a reserva. Lá pelas 19h o irmão Frank, também dos Bodes do Asfalto foi nos visitar, e aproveitamos para uma caminhada até uma feira de artesanato na orla, para um bate papo.
Na manhã do dia 30/09 seguimos para Recife, e já na entrada da cidade formos recepcionados pelos irmãos José, Fernando, Jurandir e Rubens, onde realizamos alguns registros fotográficos. Nessa maravilhosa recepção o irmão Fernando me presenteou com o “Chocalho Guardião”, similar o Sino Guardião muito utilizado por motociclistas nos EUA. E ainda me entregou outro exemplar, solicitando para entregar ao Mano Edinho, quando de minha visita ao Aprisco dos Bodes.
A convite dos irmãos fomos até um restaurante para confraternizar. O papo foi tão descontraído e a conversa se estendeu até por volta das 14h20min, quando tomamos o rumo de Maceió.
No final da tarde fomos recebidos pelos irmãos Pedro e Reginaldo, ainda no Município de Messias, as margens da BR 101. Depois de rápido papo, abastecer a moto e nos hidratarmos, segui direto para a Praia do Francês onde eu ficaria por dois dias. O irmão Pedro me acompanhou até bem próximo, pois começou uma chuva mansa e a noite chegou muito rápido. É digno registrar a forma calorosa que o irmão Pedro nos recepcionou, demonstrando o verdadeiro espírito de motoviajante e Motociclista com “M” maiúsculo.
Como o irmão Pedro teria de ir a Maceió na manhã seguinte para participar de uma reunião, combinamos de nos encontrarmos no início da tarde, quando conversamos um pouco mais.
Eu havia conhecido a Praia do Francês no final dos anos 80, quando ainda era muito nativa, onde predominava moradia de pescadores. Hoje completamente transformada, moderna, com ótima infraestrutura de rodovias, vias urbanas, hotelaria, restaurantes e tudo mais. Uma grata surpresa!
Depois de curtir a aconchegante Praia do Francês, retomamos a BR 101 com destino a Aracaju no dia 02/10. Na entrada da cidade, em frente a PRF, fomos agraciados com a recepção de um grupo de irmãos muitos queridos e atenciosos.
A ideia era fazer um rápido registro fotográfico com os irmãos e seguir para Feira de Santana, onde o irmão Edinho nos aguardava, mas acabamos cedendo ao convite dos queridos irmãos Alfredo, Sandrin, Pablo e Orniran, que demonstraram imensa alegria e interesse para que conhecêssemos um pouco mais a capital de Sergipe.
A atenção e o entusiasmo de receber um aprendiz de motoviajante, me contagiou pelo carinho dos irmãos, e seguimos para um tour em Aracaju. E foi uma das melhores decisões que tomei, pois havia recebido alguns alertas negativos sobre a cidade. Ao final do passeio eu e Wilma ficamos encantados com cidade e com a fidalguia dos irmãos, e prometemos retornar para conhecer melhor as praias e belezas do Estado.
Na despedida dos irmãos em Aracaju eu já estava com saudade daqueles momentos agradabilíssimos que havíamos acabado de viver. Uma experiência renovadora ao nosso espírito.
O tour por Aracaju acabou por nos atrasar um pouco para que chegássemos ainda durante o dia em Feira de Santana, mas creio que foi mais em razão das muitas obras, desvios e trechos ruins da BR 101, o que me obrigou a fazer uma tocada mais forte na viagem, com poucas paradas, tornando mais cansativa para a Wilma. Chegamos na boca da noite em Feira de Santana, mas como era sábado, o tráfego estava sossegado.
Depois de instalados no hotel, fomos visitar a sede nacional e Aprisco dos Bodes do Asfalto. Logo a seguir fomos jantar na companhia do irmão Edinho e sua filha. Uma deferência especial do irmão Edinho, pois transferiu um compromisso em Salvador para nos receber de forma tão atenciosa e carinhosa. Ficamos muito gratos por tal gesto de fraternidade.
Na manhã seguinte, dia 03/10, pegamos a estrada novamente com o tempo nublado, e não tardou muito fomos agraciados com uma chuva leve. Chegamos na capital da Bahia e fomos recebidos com muito carinho pelos irmãos Mario Augusto e esposa, Roberval e esposa, e Marcus, no Rei da Pamonha, na entrada da cidade. Depois de um papo rápido e hidratarmos, fomos guiados pelos Brothers.
A recepção foi de enorme atenção e carinho dos irmãos, e acabamos cedendo mais uma vez aos insistentes convites para confraternizarmos com um almoço. Nos deslocamos até o Quartel da Marinha, onde deixamos as motos no estacionamento e fomos almoçar no Mercado Público de Salvador, que fica ao lado.
Foi uma reunião maravilhosa, muita conversa e troca de experiência, dicas e conhecimento, acompanhado da boa comida baiana, que acabamos saindo para voltar a BR 101 com atraso, só conseguindo chegar a Gandu no início da noite.
O tráfego entre Feira de Santana e Gandu é muito travado, estrada ruim, boa parte sem acostamento, infinitas ondulações, muitas sem sinalização, como de resto boa parte da pista, e para completar muitos povoados as margens da rodovia.
No dia seguinte chegamos no meio da trade em Arraial a’Djuda, onde também ficamos dois dias, aproveitando as belezas da Bahia e proporcionado um descanso para a garupa. Mais uma indicação do Number One, que aprovamos totalmente. Ótima pousada, praia, boa culinária e passeio a Porto Seguro.
De Arraial d’Ajuda voltamos até Eunápolis para retornarmos a BR 101 e no final da tarde chegamos em Linhares, já no ES, para pernoitar no Hotel BHS. Ótimo hotel, mas com muitas restrições face a pandemia, sem utilização da piscina e restaurante. Cardápio era bem razoável e servido no apartamento, que possui boa estrutura.
No dia 07/10 por volta das 11h chegamos em Vitória, onde o irmão Wilson nos aguardava para nos dar um abraço e acabamos fazendo as fotos junto em frente ao Palácio do Governo, pois o Mano estava com compromissos agendados. Depois rodamos um trecho junto até antes da travessia da ponte para Vila Velha, onde realizamos um pit stop para um lanche.
De Vila Velha partimos para a Praia de Piúma, local do pernoite, para na manhã seguinte chegar antes do almoço em Campos dos Goitacazes, para rever dois amigos motociclistas.
Na entrada da cidade o amigo Marcos nos aguardava e nos conduziu para ficarmos em sua casa. Logo fomos almoçar em uma churrascaria com o Marcos e a esposa Regina, e o Sérgio e a esposa Vera. Colocamos a conversa em dia, viagens e últimas experiências. Esses dois amigos conheci nas rutas, no ano de 2011 na saída da Colômbia, entrando no Equador. Desde então mantemos contatos e visitas mutuas, o que forjou uma amizade muito bacana.
À noite fomos jantar na sede do Moto Clube Campos, fundado em 1932, o mais antigo em atividade no país. A turma é muito receptiva e a noite foi muito agradável, pois já havia estado por lá em outras oportunidades e conhecia vários dos seus integrantes.
É sempre uma alegria encontra os motociclistas e grandes viajantes Marcos e Sérgio, que possuem duas esposas e parceiras que pilotam suas próprias motos. E o carinho e a atenção dessa turma, são marcas registradas.
No dia seguinte, sábado, 09/10/22, com ótimas dicas dos amigos de Campos, seguimos para cruzar o Rio de Janeiro, que nos dias atuais me soa quase como um desafio. Chegamos no Kiosque do Alemão, na entrada de Itaboraí, onde o irmão Fernando (Elite) nos aguardava. Depois do café e um pequeno lanche, seguimos para cruzar a cidade do Rio de Janeiro, até retomarmos a BR 101 e chegarmos a Itaguaí, onde fizemos novo pit stop para abastecer e fazer um lanche.
Terminamos o dia em Angra dos Reis no final da tarde, onde pernoitamos, com uma chuva mansa, mas persistente. Depois foi só pegar a ruta para chegar em casa.
Após uma pequena pausa em Itajaí, parti no dia 05/11/21, para o EBA Almoço da Facção Carbonífera, em Charqueadas, RS, a convite do Mano Renato Severo. Aproveitei minha estada no RS para fazer o registro na capital do meu Estado natal, Porto Alegre.
Estava combinado com os Irmãos um jantar, mas como começou a chover, acabou sendo cancelado e a recepção e o registro ficaram por conta do Irmão Coordenador Estadual Castilhos e a cunhada.
No início de 2022, mais precisamente dia 19/03, reiniciei as visitas as Capitais e aos irmãos, com a viagem para São Paulo.
Como fui solo, e com as informações de irmãos dos Bodes do Asfalto de SP, preferi ir num final de semana e com uma moto de baixa cilindrada, para diminuir os riscos quanto a segurança. Vale registrar que no final de semana anterior, um motociclista de São José do Pinhais, PR, que fora renovar o visto americano na capital paulista, foi morto a tiros quando chegava a SP pela Marginal Pinheiros com sua moto GS 1200, uma tragédia.
Pernoitei em Itapecerica da Serra, para na manhã do dia seguinte ser recepcionado pelos irmãos Salú e Igor, que me acompanharam para entrar em SP e percorrer alguns pontos turísticos. Depois fomos almoçar e confraternizar, logo a seguir já iniciei meu retorno.
Como havia retirado a moto a poucos dias, teria que fazer a revisão dos 1.000 km na viagem, a qual agendei para realizar em Registro, onde pernoitei.
Em 21/03/22 após a revisão da moto na Concessionária Honda, onde fui muitíssimo bem atendido, voltei para a estrada rumo a Curitiba.
Quando passei por Curitiba os irmãos Tostes, Gaida e Léo Paiola, já estavam me aguardando para um papo e um ótimo café no final da tarde. Os queridos irmãos que mesmo com chuva pegaram suas motos para me encontrar para um abraço, demonstra muito bem a fraternidade que reina no Moto Clube.
Sai de Curitiba no final da tarde e cheguei em casa por volta das 21h30min. Em razão do horário, rodovia com grande trafego de caminhões e moto pequena, tive de receber e aceitar uma bela “chamada” do Number One...
Não tive muito tempo para preparar a continuidade das visitas as capitais. Foi chegar de SP, juntar roupas limpas e colocar na bolsa impermeável, abastecer e calibrar os pneus da motoca, e às 6h do dia 24/03/22, já estava nas rutas, desta vez com azimute voltado para Belo Horizonte e Brasília.
Aproveitei minha passagem em Itu para visitar meu Brother James Cardoso e Adriana. O James me levou para confraternizar com um grupo de motociclistas, onde acabei encontrando um bom amigo do Grupo V Strom, Ricardo Mesquita, que havia tempo não o encontrava.
De Itu seguindo pela BR 381, Fernão Dias, fiz um pequeno desvio e fui visitar outro grande Brother, o Lunard Dolabella, também do MCBDA, que está residindo em São Lourenço, MG.
Dia seguinte, 26/03, voltei a BR 381 e cheguei a Belo Horizonte no meio da tarde, me instalando em um hotel no centro. Nessa data estava ocorrendo em BH o Encontro dos Bodes do Asfalto e acabei sendo convidado para participar, onde encontrei vários irmãos conhecidos e tendo o privilégio de conhecer outros tantos, de vários estados do país. Mas especialmente o Mano Coordenador Fernando, e o Maurinho, este já havia me visitado em Santa Maria, RS. Também foi bacana encontrar os Manos Peninha e Castanheira.
Dia 28/03 já estava chegando na casa do um irmão Paulo, em Brasília, o qual comemorou seus 60 anos no dia 31/03.
No dia 29/03/22 combinei com os Manos de Brasília para uma confraternização na Albino Choperia e Galeteria. Lá compareceram os irmãos Augusto, Massarotto, Calvalini, Marão, Perejas, Léo e Marcelo, onde o papo e troca de experiências foi a pauta.
Aproveitei minha estada em Brasília e acompanhei dois irmãos, Paulo, de Brasília e Alvaro, que reside na Austrália, para um tour pelo interior de Minas Gerais, visitando amigos e algumas cidade históricas.
Comecei meu retorno para casa dia 07/04, chegando em Itajaí no dia seguinte.
Agora com intervalo maior, voltei a estrada no dia 27/05/22, para registrar mais quatro capitais e chegar no Acre, passando pelo MS, MT e RO.
Na minha chegada em Campo Grande, MS, dia 29 de maio de 2022, fui recepcionado na estrada por um grupo de irmãos motociclistas, que me davam boas-vindas a essa bela cidade e me cortejaram até a casa do Brother Gustavo, que nos brindou com um suculento churrasco. A tarde acabou sendo curta para trocarmos boas experiências motociclísticas e de viagens.
Antes de chegar a Cuiabá, capital do Mato Grosso, passei pela Chapada dos Guimarães, região próxima à capital, que eu ainda não conhecia e estava na minha agenda “a fazer”!
Cheguei em Cuiabá no dia 31 de maio de 2022 e fui gentilmente recebido pelo Brother Ricardo. O Mano muito atencioso, me conduziu para um almoço no Mirante das Águas Peixaria & Restaurante, nas margens do Rio Cuiabá. Muito top!
A conversa e troca de informações com o Irmão Ricardo foi ótima, e pude passar algumas dicas e sugestões de última hora ao Brother, que no dia seguinte estava partindo para sua grande aventura ao Alasca, logo ali...
Mesmo com a adrenalina nas alturas, em razão das preocupações de uma grande trip, o Ricardo me acompanhou de forma atenciosa e fidalga, e me senti um motociclista privilegiado em conhecê-lo.
O irmão ainda me acompanhou até uma Loja de Acessórios para Motocicleta, onde encontrei e comprei um pneu. Amarrei na moto e o levei até Porto Velho, onde realizei a troca.
Em junho de 2022 já estava chegando a Porto Velho, RO, e também fui recebido de forma amável pelo Brother Coordenador Jacob. Me hospedei no Hotel Nativo, de propriedade um Brother motociclista, por indicação do Jacob. Recomendo!
No dia seguinte fui almoçar com o Jacob na Barraca do Jair, nas margens do Rio Madeira. O peixe estava ótimo, temperado com uma prosa de fundamento, pois o Jacob tem uma vasta experiência da região.
Depois de várias dicas e informações sobre as condições da estrada para Rio Branco, peguei a ruta para capital do AC.
Na minha chegada a Rio Branco, AC, fui convidado a participar de uma confraternização com os irmãos e um magnífico Fogo de Chão, onde encontrei entre eles, o Coordenador Bruno, o Emerson e o Denis.
Tinha exatamente 10 anos que eu havia estado em Rio Branco, uma cidade que tem história e me senti em casa com a fraternidade dos irmãos.
Em 28/07/22 foi dia de visitar os irmãos de Florianópolis, capital do Estado de SC, onde estou residindo.
Por volta das 15h, eu a cunhada Wilma fomos encontrar os Bodes e conhecer a Sede Social dos encontros semanais da Facção Floripa. Uma bela sede, muito bem estruturada e aconchegante.
A recepção do Mano Coordenador Paulo Velasque foi fantástica. Lá encontrei vários irmãos das antigas, como o Mano Vagner entre outros.
Não tive muito tempo para o descanso e dia 02/08/22 embarquei para Macapá, onde consegui a cedência com o Irmão Gerson Santos, de uma moto XRE 300 para rodar na cidade e fazer alguns registros, pontos turísticos da cidade, especialmente da Fortaleza de São José de Macapá, que eu já conhecia.
Dia seguinte foi marcado pelo momento de encontrar alguns irmãos dos Bodes do Asfalto, em uma ótima confraternização. Estavam presentes os brothers Leandro e cunhada, Williams, Wallison, Luiz e Gerson de Macapá, e o irmão Ernesto, de Salvador.
Na quinta-feira, 04/08, embarquei para Manaus onde já havia locado uma moto XRE 300, com o Tagino Adventure, de Porto Velho.
No final da tarde já estava me reunindo com alguns irmãos na Sede Social do Bodes do Asfalto em Manaus, que fica junto ao Clube ASA, na Ponta Negra.
Lá me aguardava o irmão Coordenador François, Beto, entre outros. O irmão François foi extremamente atencioso, me levou para jantar e depois me deixou no hotel.
Dia 05/08, pela manhã, fui pegar a moto, pois queria deixar pronta para seguir a Boa Vista no sábado, já nas primeiras horas da manhã, pois as informações dos irmãos era que a estrada entre Presidente Figueiredo e o trecho da Reserva Indígena Wimiri Atroari, cerca de 235 km ao todo, estava muito ruim.
Sete horas da manhã de sábado, 06/08 eu já estava saindo da cidade pela BR 174, pilotando com cautela.
Realmente depois de Presidente Figueiredo a BR 174 está bem perigosa, por conta de muitos buracos e algumas crateras, não permitindo uma pilotagem tranquila e segura. Se piloto ou motorista se empolgar, poderá ter sua viagem interrompida, como as que assisti, vários carros com rodas amassadas na beira da estrada.
A parte da reserva do Estado do Amazonas é a mais deteriorada, tem trechos que não tem mais estrada, pedra e buracos, e com chuva lama. Já após a divisa de Estado, no trecho de Roraima, a estrada melhora um pouco, embora tenha alguns buracos, tem vestígios de que estão trabalhando na recuperação.
Essa passagem pela Reserva Indígena Waimiri Atroari, só é permitida entre 6h e 18h, para entrar, quem já está dentro da reserva consegue sair sem problema, mas não é recomendado, especialmente para quem viaja solo, pois poderá pegar a noite no trecho.
Pernoitei em Rorainópolis e no dia seguinte, domingo, segui para Boa Vista.
Como tinha feito contato com o amigo Cezar Riva, gaúcho que reside em Boa Vista há mais de 20 anos, nos encontramos no hotel e fomos jantar para colocar a conversa em dia, a qual estava bem atrasada, pois havíamos nos encontrado pela última vez no Ushuaia, em 2014. Esse sabe muito da região e é uma referência para se colher informações precisas sobre Roraima.
Como o irmão Valdinei estava em Porto Velho e só retornaria na segunda-feira, e eu queria aproveitar minha estada em RR para realizar outro desafio dos Fazedores de Chuva, fui até Uiramutã no extremo norte do país. Uma viagem desafiadora, mas prazerosa para um motoviajeiro que gosta de desafios.
No meu retorno de Uiramutã para Boa Vista e após ter me instalado no hotel, o irmão Valdinei e a esposa Débora foram me buscar para jantarmos, e logo depois fazer um tour pela cidade, com alguns registros fotográficos.
Dia seguinte iniciei meu retorno a Manaus para a entrega da moto, mas ainda tive tempo para encontrar novamente com os irmãos dos Bodes do Asfalto no estacionamento do Shopping Ponta Negra, onde se desenvolvia o 1º Encontro de Motociclistas, a convite mais uma vez do irmão François.
Depois foi descansar no hotel e retornar para casa com a missão cumprida, aguardando aprovação da comissão que analisa o cumprimento das regras.
No dia 31 de agosto de 2022, me foi outorgada a COMENDA Cavaleiro Hugues de Payens, sendo o Cavaleiro número 21 a realizar o giro pelo Brasil, a qual recebi com a devida humildade, pois tenho consciência que é apenas um título, o que ficou em minha memória e alma, foram as boas lembranças da ruta e da fraternidade.

Fraterno motoabraço.

By Renato Lopes.



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