Renato Lopes

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Irmão Adilson Castilho - Viagem ao Fin del Mundo. Ushuaia!

(03/05/2015) Irmão Adilson Castilho - Viagem ao Fin del Mundo. Ushuaia!

MINHA VIAGEM SOLO AO USHUAIA – Nov/2014

I. Ida:
O projeto de viajar ao Ushuaia para participar do Encontro Internacional de Motoviajeros patrocinado pelo Grupo Latitud 54 Sur, daquela cidade, já vinha me acossando desde 2013. Este ano não teve recuo, incentivado que fui pelo experiente motoviajero e Irmão Renato Lopes que, até semanas antes, estava disposto a me acompanhar. Infelizmente, Renato teve que abortar a viagem, então eu me larguei solo na aventura.
Com apenas três anos e meio de experiência no motociclismo, confesso que fiquei muito apreensivo quando o Ir؞ Renato me comunicou que ele não poderia mais ir, não obstante eu já tivesse ido ao “Fin del Mundo”, com a família, nos meus áureos tempos de trolleiro em 2011.

Roteiros prontos, motoca mais que afinada e a data da partida marcada para 16 de novembro foi antecipada para o dia 15 (sábado), no intuito de “quebrar” a ansiedade que já era grande. Recebi com grande alegria e honra o comunicado do Renato de que ele, o Edson Steglich, o Dal Molin e o Cunha, todos Gaudérios do Asfalto, iriam me escoltar até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Assim foi, e às 10:00 h partimos com o Edson “puxando” o comboio. Chegamos em Livramento por volta das 13:00 h e nos despedimos num posto de serviços. Os amigos, com certeza, aproveitaram para saborear uma boa parrillada no almoço e, de quebra, fazer umas “compritas” em Rivera, renovando o estoque de vinhos e iguarias.
Parti para a aduana uruguaia em Rivera, que é muito eficiente naquele ponto da fronteira, rapidamente já estava riscando o asfalto (como diz o Edson Steglich). Decidi ir de Tacuarembó para Paysandu e de lá descer até Fray Bentos, para evitar os famosos achaques dos “carabineiros argentinos” na fronteira de Paysandu, entrando assim na Argentina por Gualeguaychu. Cheguei lá por volta das 18:30 h e depois de algumas voltas, fiquei no Hotel Viedma:

Dá pra dizer que é só “BB”, não tem o “B” de bonito, mas tem preço justo, bom banho, boa cama e fica perto dos locais de comida (comedores).......nesse dia foram rodados cerca de 780 Km.
Durante o jantar troquei “figurinhas” pelo WhatsApp com o meu “Guru do Roteiro”, o Willian Neves, da cidade de Rio Grande, que me falou do Museu do Fangio, em Balcarce, cidade perto de Mar del Prata...... como já estava um dia adiantado, resolvi seguir a dica do amigo e, no outro dia, segui rumo a Balcarce.
Segui pela RN 3 até San Miguel del Monte (depois de Cañuelas), de lá peguei a RP 41 até General Belgrano, em seguida parti para a RP 29 que me levou direto para Ayacucho e, em seguida Balcarce, totalizando 730 Km naquele dia. Chegando lá bem cedo da tarde, o Willian me passou as coordenadas do hotel Balcarce, esse sim “BBB”, numa das esquinas da praça principal, com o Museu do Fangio na outra esquina, de frente.... só que a “pracinha” têm uns 300 m de cada lado.....

A cidadezinha é espetacular, tudo muito organizado e limpo, a praça central, essa do hotel, é linda, bem arborizada e muito, muito bem cuidada; como era num domingo (16 Nov 14), centenas de pessoas se juntavam ali, pelos quatro cantos, para o lazer das crianças, para namorar e para o mate, que lá também é muito apreciado. Às 16:00 h já estava adentrando o Museu, cuja taxa é de $ 75 pesos...... valeu cada centavo.... o local é muito bonito e limpo. Sob o patrocínio de algumas famosas montadoras e fabricantes de pneus o local foi erigido e possui todas as relíquias dos carros que Juan Manoel Fangio pilotou nos cinco anos em que foi campeão mundial de F 1 ......, possui ainda um espaço em homenagem ao nosso Ayrton Sena, que não negava ser fã do homenageado, esse local tem várias fotos do Ayrton com o Fangio, um capacete e uma Mac Laren que o Ayrton pilotou; tem também um espaço para o Alain Prost e outros pilotos que se espelharam no Fangio ao longo dos tempos..... Para os apaixonados pela F1, a visita ao Museu do Fangio é imperdível !!!!

O local fecha às 18:00 h, daí em diante o programa foi voltar para o hotel e dar uma “relaxadinha” até que os “comedores” da cidade abrissem, o que só acontece lá pelas 21:00 h. Novamente embarquei na dica do Willian: Restaurant Julián..... na mesma rua do museu, a uns 500 m dali, excelente parrillada, com bom vinho e preço justo.
Dia seguinte, tempo bom, previsão de rodar mais uns 730 Km até Viedma. Parti cedo rumo a Necochea para, de lá, seguir para Três Arroios, entrando novamente na RN 3. Mas nem tudo é perfeito, chegando em Necochea a estrada para Três Arroios estava interrompida por causa das enchentes, para pegar a RN 3 novamente teria que ir para Benito Juarez, tendo que rodar uns 150 Km a mais do que o previsto...... vamos lá...... segui então para Benito Juarez.... como nada é tão ruim que não possa piorar, por volta da 10:00 h o vento começou a “bater” forte, em rajadas.... eu nunca tinha passado por aquilo, fui reduzindo a velocidade até estar pilotando com confiança, rodando a 50/60 Km/h..... cheguei em Benito Juarez por volta das 12:30 h, faltando uns 600 Km para chegar no objetivo do dia..... e o vento continuava, cada vez mais forte, mas, chegando na RN 3, com a pista mais larga e com acostamentos melhores pavimentados, me senti seguro em aumentar a velocidade para 80/90 Km/h .... assim fui até Bahia Blanca, cheguei lá já exausto, por volta das 17:00 h; o vento na lateral direita é muito traiçoeiro nas ultrapassagens dos veículos pesados...... pensei em ficar por ali, o vento era tanto que dificultava para enxergar as casas ao longo da pista por causa da poeira que levantava com as rajadas.... mas decidi seguir a diante, mais 280 Km, já que naquela região os dias já são mais longos. Segui na mesma passada que me sentia seguro na pilotagem, sozinho não se deve errar..... confesso que não faria de novo, arrisquei muito, deveria ter parado em Bahia Blanca....... cheguei em Viedma lá pelas 20:30 h, o hotel que meu guru Willian sugeriu (o Austral), não tinha vaga e segui a procura de outro, consegui mais um BB, o hotel Peumayén, que fica na frente da praça principal da cidade, perto dos “comedores”.......

Me instalei rapidamente e fui cuidar de forrar o estomago, perto dali, do outro lado da praça. Chegando no hotel fui pesquisar o tempo para o dia seguinte, seguindo as orientações do Mano Renato Lopes, sobre o horário dos ventos. O macete é mesmo sair bem cedinho, antes mesmo das 06:00 h da manhã, parando para “desayunar” só lá pelas 08:00 h, na primeira abastecida do dia.
E assim foi...... às 06:00 h do dia 18 Nov 14 eu já estava rodando, tudo muito calmo, sem vento, pista limpa, e “cabo enrolado” nos 120/130 Km/h, sem medo de ser feliz...... o destino do dia era Caleta Olivia....seriam em torno de 950 Km. Pontualmente as 13:00 h o vento começou a rajar forte novamente......velocidade baixando, agora, já mais confiante, para 90/100 Km/h...... mas muita, muita força nos braços para segurar corretamente a MLN 1102 (Minha Linda Nara). Por volta das 18:30 h chegava em Comodoro Rivadávia e o vento não dava sinais de trégua..... estava exausto e decidi não seguir mais os 75 Km até Caleta Olivia..... não incorrendo no erro do dia anterior; fui procurar hotel e todos os BBB estavam lotados, os mais estrelados também...... Achei um, perto do Austral que não tinha estacionamento mas fica perto (50 m), de um posto de combustível..... negociei com o gerente do posto, dando uma gorjeta aos frentistas para a moto ficar ali e me hospedei no hotel Cirse, já por volta das 22:00 h.


Depois fiquei sabendo que esse hotel é do Grêmio dos SubTenentes e Sargentos do Exército Argentino, que antes não era aberto ao público, mas há dois anos está aberto para ajudar na manutenção. O local é limpo e bem arejado, a “habitacion” é ampla e como é na beira mar, não precisa ar condicionado, nem ventilador, mas para o inverno, possui aquecimento central. Rodei 870 Km até ali.... fui jantar num “comedor” muito bom ali pertinho e dormi muito bem, não sem antes consultar a situação dos ventos no dia seguinte e fazer uma reserva, pelo Booking, num hotel BBB de RGallegos, que era o objetivo do dia seguinte.
Dia 19 Nov 14, quarta feira, o destino era Rio Gallegos, 780 Km; bem cedinho, antes mesmo das 06:00 h já estava na estrada para aproveitar a calmaria. Parei em Caleta Olivia para tomar café e, na cidade, passei na frente do Hotel Robert, que o mano Renato Lopes havia me recomendado mas que não pude conhecer, ainda. Pista limpa, vento suave e “cabo enrolado” na mesma velocidade do dia anterior, até pontualmente às 13:00 h, quando o danado começou a rajar de novo, bem forte como no dia anterior..... como nada é tão ruim que não possa piorar, depois de Comandante Piedrabuena, lá pelas 15:30 h, o tempo começou a piorar, agora com chuva......e, em alguns trechos, com gelo; o engraçado é que o gelo caía por uns 2 ou 3 minutos, depois parava e vinha só chuva, dali a pouco vinha mais uma onda de gelo....... aí o “bicho pegou”, temperatura beirando os 7 graus, vento e chuva..... e foi assim, até chegar em Rio Gallegos........ quando vinha o gelo eu parava e esperava a onda passar........cheguei em Rio Gallegos por volta das 18:30 h, exausto novamente, mas com a reserva no hotel já feita, fiquei no Avellaneda:

Para jantar segui a indicação do dono do hotel e fui de taxi para o restaurante Lo de Vicente. Ao chegar, vi que já tinha estado alí quando viajei de Troller em 2011 e não havia gostado da comida.... seria o primeiro cordeiro patagônico a ser saboreado..... achei que o local poderia ter trocado de dono e mudado o serviço..... ledo engano, o cordeiro patagônico estava muito ruim, duro e mal assado...... nesse eu nunca mais vou....
Como já de praxe, depois do jantar fui consultar o “amigo tempo” da região e, de novo, sair cedo era primordial.
Dia 20 Nov 14, quinta-feira, seria a minha última “pernada” para chegar ao objetivo, previstos 590 Km. Às 06:30 h da manhã já estava rodando, teria pela frente a passagem de transbordador pelo Estreito de Magalhães, quatro Aduanas para despachar e o temido rípio para chegar em San Sebastian. O dia seria duro, mas, saíndo cedo o dia rende muito.
Passei sem problemas pelas duas primeiras Aduanas, que estão unificadas numa só edificação e, depois, pelo transbordador no Estreito de Magalhães; até então o vento não estava batendo muito forte.
Cheguei no rípio, após Serro Sombrero, às 13:30 h e o vento já estava mais forte. Foi a minha primeira passagem por estrada de rípio como motociclista, estava muito apreensivo mas determinado. Fiz a regulagem da MLN 1102 no modo enduro e dei um “aperto” no amortecedor de direção, mas não desci da moto, se descesse não conseguiria mais subir sozinho, cuidando muito para não deixar as luvas caírem......o vento já não dava trégua.
Aquele trecho em direção a cidade de Onaisin no Chile, que é de aproximadamente 50 Km, está sendo pavimentado, muitas partes já estão concluídas sendo permitido o trafego pelo asfalto, mas ainda interrompido em alguns pontos; perto das obras em andamento o rípio está muito solto, obrigando uma atenção redobrada. Na minha avaliação, creio que até 2015 esse asfalto esteja concluído. Depois, já no trevo de Onaisin para San Sebastian o rípio está bem compactado e o perigo diminui. São mais uns 50 Km até a Aduana do Chile e mais 10 Km até a Aduana da Argentina em San Sebastian, onde o asfalto começa novamente. Cheguei no asfalto as 15:45 h, foram mais de duas horas para percorrer os 90 Km de rípío. Ali existe um posto YPF e um hostal com “comedor” muito organizado, para quem sai mais tarde de Rio Gallegos é uma boa opção de pernoite mas, como é pequeno, pode-se não encontrar vagas. Não verifiquei se existe referência dele na internet e nem peguei a “targeta” do mesmo. Parei ali para um rápido café e segui direto para Rio Grande parando num posto YPF da cidade para um lanche rápido e abastecimento; convém salientar que agora já existe um caminho asfaltado que desborda a cidade, não sendo mais necessário trafegar pelo trânsito urbano da mesma. Saí de Rio Grande por volta das 18:00 h para os últimos 210 Km do roteiro de ida. O sol ainda estava alto. No meio do caminho parei novamente para um café na cidade de Tolhuin, já próximo ao Lago Fagnano. Os picos nevados do Paso Garibaldi já se mostravam imponentes e belos. Seguindo as recomendações do Renato Lopes, parei em alguns dos diversos “miradores” daquele trecho da estrada para fazer ótimas fotos e filmagens. A beleza daquela paisagem inóspita é indescritível.
Por fim, eram aproximadamente 20:30 h quando cheguei no Portal da cidade de Ushuaia, já se podia ver o sol beirando o horizonte; o pessoal do Latitud 54 Sur estava ali com uma estrutura de recebimento e acolhimento dos “viajeros”, desde as 12:00 h daquele dia, fazendo a inscrição para o evento e orientando no que fosse preciso. Foi uma festa !! A felicidade de chegar “solo” até ali, sem encontrar nenhum brasileiro ou qualquer companheiro de viagem pelo caminho me deu uma enorme sensação e satisfação de missão cumprida. Por instantes me senti o centro do Universo e, sem falsa modéstia, muito poderoso !! Depois das várias apresentações, conversas e muitas fotos, segui para o Hotel La Posta (Perón Sur 864 – Tlf: +54 2901 444650 / 444649 - GPS:
-54.8260088,-68.3299934 – e-mail: consultas@lapostahostel.com.ar), que já havia feito reserva antes mesmo do início da viagem.

Me instalei no hotel e fui tratar de jantar e descansar, a programação do 7º. Encuentro Internacional de Motoviajeros em El Fin Del Mundo era intensa. Convém salientar que esse hotel é um pouco afastado do centro da cidade, no caminho do aeroporto, mas é um bom hotel, lugar limpo, bom banho, boa cama e preço justo.
Desnecessário se faz comentar as atrações da cidade, mas, o local imperdível sem dúvida é o Parque Nacional Tierra Del Fuego e lá, a Bahia Lapataia onde tem a famosa placa que indica o final da Ruta 3.

II. Volta:
Tudo preparado no domingo chuvoso, o retorno estava previsto para a segunda-feira, dia 24 de novembro. Novamente a viagem seria “solo” pois uns os parceiros que conheci no Encuentro voltaram no domingo e outros iriam ficar mais uns dias......
O domingo estava chuvoso e frio mas a previsão para 2ª. feira seria de tempo bom, então decidi sair bem cedo; já sabia que passar pelo Paso Garibaldi muito cedo e com tempo chuvoso e frio era perigoso, pois corria o risco de ter gelo na pista. O tempo amanheceu limpo, o sol já estava quase entrando no horizonte quando eu peguei a estrada, eram 06:30 h. A temperatura começou a baixar, chegando aos 1,5 graus Celsius no Paso Garibaldi, entretanto não havia gelo, a pista estava seca, mas toquei com muito cuidado pois nunca havia pilotado com gelo na pista, em alguns pontos haviam manchas pretas no asfalto advindas da água que escorria por deficiência da drenagem, mas não havia gelo. Já havia sido alertado pelo Renato Lopes para ter cuidado nesses pontos pois o gelo não fica visível e a pista fica escorregadia se essa água estiver congelada......
Novamente parei no posto YPF em Tolhuin para abastecer e tomar um café. Lá chegaram três motociclistas chilenos, de Punta Arenas, que haviam participado do evento e voltavam para suas casas. Eles abasteceram e iriam tomar o café da manhã numa “Panaderia” da cidade, que eu não conhecia. Eles me convidaram e seguimos então para a Panaderia La Unión; chegando lá descobri se tratar de um ponto de parada para os “viajeros”, com os vidros das janelas repletos de adesivos dos visitantes que lá estiveram. O café da manhã com empanadas de todos os sabores foi muito bom. Esse local é imperdível e merece ser frequentado, tanto na ida como na volta da viagem......
Os chilenos iriam por Cerro Sombrero, questionei-os do porque não iriam por Porvenir e de balsa até Punta Arenas (caminho muito mais curto), eles responderam que a balsa lá não é regular e depende muito da situação dos ventos, já que a travessia é bem mais extensa que a do Estreito de Magalhães. Então seguimos os quatro, eu acompanhava a todos na retaguarda. Fizemos a aduana argentina e chegamos no rípio. Naquele trecho que está sendo asfaltado (entre Cerro Sombrero e Onaisin), em muitos pontos que na vinda eu havia percorrido pelo rípio, eles pegavam o asfalto que não estava aberto para o trafego regular, eu acompanhava e assim percorremos no total somente uns 80 Km no rípio. Não há fiscalização que impeça o transito no asfalto que ainda não está aberto ao trafego regular. Chegamos em Cerro Sombrero e os companheiros entraram na cidade para abastecer, a cidadezinha é muito organizada e limpa, uma boa opção para o pernoite se os horários estiverem apertados, no caso de sair bem mais tarde de Ushuaia.
Após a travessia do Estreito de Magalhães os parceiros seguiram para Punta Arenas e eu para Rio Gallegos. Chegando lá decidi que o GPS iria procurar um hotel. Dei sorte, fiquei no Hotel Croacia, muito bom e com preço melhor ainda.

Na manhã seguinte, já preparado para enfrentar os ventos, pulei cedo da cama e às 06:00 h já estava na estrada. O destino seria Caleta Olivia, aproximadamente 700 Km.
Parando para tomar café e abastecer na cidade de Comandante Luiz Piedrabuena, a 230 Km de Rio Gallegos, conheci um casal mexicano que rodava numa GS 1200 Adv, a Jessica e o Pedro. Eles tinham vindo da Cidade do Mexico e já estavam na estrada há 60 dias, estavam voltando de Ushuaia também, mas não participaram do evento. A partir daí andamos juntos, em todas as paradas de abastecimento trocamos vários conhecimentos e eles decidiram me acompanhar no pernoite em Caleta Olivia, agora sim no Hotel Robert, que o Renato Lopes havia indicado. Chegamos lá no fim da tarde e o hotel é um baita “BBB”, com um restaurante sensacional. Após o jantar decidimos sair às 05:30 h da manhã, eles iriam seguir minha dica para conhecer a pinguinera de Punta Tombo, que fica antes da cidade de Trelew. O dia estava maravilhoso, aquela manhã estava com céu limpo, a temperatura começou com 8 graus Celsius e não havia nada de vento. E assim foi, deixei o casal no acesso a Punta Tombo e segui para o meu destino do dia, que seria novamente em Viedma. Após as 13:00 h, como de costume, já esperava o temido vento, mas que nada...... incrivelmente ventava muito pouco, mas muito pouco mesmo e quando ele ocorria, era de popa, que só fazia ajudar na pilotagem. O céu continuava limpo e a temperatura não passava dos 20 graus Celsius, uma maravilha. Cheguei em Viedma com o sol alto, lá pelas 16:30 h. Estava me sentindo super bem e o tempo ajudava muito. Decidi então seguir adiante, até Bahia Blanca. Tive a sorte de pegar o trecho mais ventoso da viagem em condições excelentes para a pilotagem; a aproximadamente 100 Km do destino parei para tomar um café num posto YPF e tive a oportunidade de conhecer o dono do estabelecimento. Solicitei a ele uma indicação de hotel em Bahia Blanca e ele prontamente me indicou o Paradores Austral, como não consegui fazer a ligação do meu celular, ele prontamente ligou, fez minha reserva e me deu um croqui de como chegar lá. Procurei no GPS e o hotel estava digitalizado, nem precisei fazer uso do croqui. Cheguei no hotel por volta das 21:00 h, o sol já estava escondido no horizonte. Havia batido o meu record de pilotagem num mesmo dia, foram 1.250 Km. Incrivelmente, o que seria o trecho mais difícil da viagem tornou-se no mais fácil e producente na condução da moto.
Foi o melhor hotel da viagem, até então o Hotel Robert, de Caleta Olivia, estava em primeiro lugar mas o Paradores Austral passou à frente (BBB com louvor e preço justo), também com um restaurante excepcional.

Depois de uma boa noite de descanso, saí cedo novamente para aproveitar o bom tempo, o destino seria Gualeguayucho. Deu tudo certo, só o trânsito de Cañuelas a Zarate estava congestionado devido às obras de duplicação da rodovia.....
Cheguei em Gualeguayucho as 17:00 h e decidi fazer a aduana e dormir em Fray Bentos. E assim foi, fiquei num hotel razoável logo na entrada da cidade, mas não anotei o nome. Estava havendo um evento de bike na cidade e os melhores hotéis, que ficam no centro da cidade, estavam lotados. Foram 950 Km nesse dia.
Dia seguinte, 28 de novembro, sexta-feira, saí cedo de novo para a última “pernada” da viagem. O tempo estava ótimo, seriam os últimos 800 Km da viagem. Abasteci e tomei o café da manhã num bom posto do trevo de entrada da cidade e no final da tarde chegava em Santa Maria. MISSÃO CUMPRIDA !!!
O mesmo sentimento que tive na chegada ao Ushuaia me invadia agora....... alegria, emoção e satisfação de ter realizado, sozinho, uma viagem tão longa. No total foram 9.500 Km. A motoca só estava com o kit da relação comprometido, barulho que começou a se pronunciar em Comodoro Rivadávia..... mas deu para chegar bem até Santa Maria/RS.

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