Renato Lopes

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Historias dos Amigos


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Otavio Araujo – Gugu

(13/07/2012) Otavio Araujo – Gugu

MOTOCICLISMO – RISCOS E SENSAÇÕES

Existem poucas sensações tão agradáveis como a de sentir o vento pela abertura da viseira do capacete, batendo no nosso rosto numa manhã ensolarada. Aquele sentimento de liberdade da estrada passando sob os pneus, da liberdade proporcionada pela condução de uma moto com responsabilidade, bem conduzida, ou, ainda, a visão de um pôr-do-sol que aparece ali bem pertinho, quando a motocicleta vai pela estrada em direção ao horizonte longínquo.

Não há como negar que muitos motociclistas, conhecidos como “motoqueiros” conduzem suas motos temerariamente, por ruas cheias de carros, buracos e pedestres que atravessam com desatenção. Esses “motoqueiros” que ajudaram a criar a fama negativa das motos no trânsito, conduzindo-as com alguma irresponsabilidade e loucura seus bólidos perigosos, estão sendo finalmente reconhecidos e distinguidos dos reais motociclistas, que conduzem com segurança, responsabilidade, atenção, prazer, sem desafiar o equilíbrio e o bom senso.

Não posso deixar de citar aqui a negligência e a irresponsabilidade de grande parte dos motoristas, principalmente dos que nunca conduziram uma motocicleta, aqueles que por inexperiência, falta de cuidado ou despreparo, dirigem seus veículos com insensibilidade perante nós motociclistas, mais expostos aos perigos e acidentes devido às características das motocicletas que conduzimos.

Quando o noticiário cita o grande número de acidentes com motociclistas, se esquecem de informar que existem “motoqueiros” e motociclistas, não citam os condutores de automóveis e caminhões enlouquecidos pelo infernal trânsito que ao volante não deixam para trás os problemas de suas vidas e exteriorizam seus recalques – às vezes até por não possuir uma motocicleta e a liberdade de pilotá-la...
Esses maus motoristas nunca são o alvo da notícia, a notícia sempre é sobre a motocicleta. O noticiário não relata as súbitas guinadas e mudança de faixa sem qualquer sinalização, as freadas maldosas e a falta de consideração em facilitar uma ultrapassagem.

Quando perdemos ou se acidenta um amigo motociclista, sempre em circunstâncias não bem explicadas, toda nossa comunidade fica em evidência e um insano furor contra todos os “motoqueiros” se instaura, como se sobre as duas rodas só rodassem irresponsáveis e insensíveis; como se apenas eles - esses selvagens envoltos em grossos blusões e mochilas nas costas praticassem acidentes.

Verifiquei recentemente que os pedestres brasileiros também não ficam atrás em matéria de desatenção e de cuidado. Muitos acreditam que motos não matam, e dançam diante delas, sem qualquer atenção ao atravessar as ruas numa indecisão que atemoriza e confunde e os motociclistas.

De uns anos para cá surgiu uma categoria nova desses abusados: os vendedores que aproveitam os engarrafamentos na hora do rush, circulando entre as filas de carros e olhando, desafiadoramente e sem se mover, o motociclista que se aproxima. Você já reparou isso?

Com mais de 50 anos sobre uma moto, vi a cidade de São Paulo crescer e o surgimento dos primeiros congestionamentos. No início não existia capacete, tudo era precário. Hoje temos eficazes equipamentos de proteção e procuro sempre pilotar equipado, protegido.

Entretanto, mesmo pilotando cada vez mais defensivamente, com cuidado e atenção redobrados venho notando, ano a ano, a piora sensível na capacidade de dirigir de nossos motoristas.

O uso de setas é desconsiderado pela maioria dos motoristas, que andam colado nos outros carros e até nas motos, ignorando faixas de pedestres e as mais básicas regras de respeito e convivência.

Alguns motoristas não respeitam motociclista, adoram intimidar nossos veículos de duas rodas, dando pequenas fechadas, espremendo as motos nos engarrafamentos e piscando faróis, exigindo passagem como se fossem os donos das estradas e ruas.

Em uma viagem de moto entramos em contato com nossos valores mais elevados, coisas como liberdade, respeito, responsabilidade, solidariedade, estão sempre presentes.

Até mesmo nosso contato com o Criador é estimulado; nossa mente viaja também, medita, contempla. Diante de todas estas experiências olhamos para o dom maravilhoso que nos foi dado, a vida, e para aquele que nos deu tudo isso e somos levados a dizer, ainda que sem palavras: "muito obrigado".

Somos pequenos perante a força do Criador, mas grandes nos sentimentos propiciados pela suas criações.

Somos motociclistas de viagem.

Colaborador: Otavio Araujo – Gugu - 69 anos, motociclista a mais de 50, administrador, empresário em Taubaté/SP, roda de Honda Varadero XLV 1.000cc – e-mail: otavio@globalplayer.com.br

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